Cirurgião Torácico membro da SPTRS ocupa cadeira na Academia Nacional de Medicina
Desde março deste ano, o cirurgião torácico gaúcho José Camargo, chefe da equipe responsável pelo primeiro transplante de pulmão realizado na América do Sul em 1989, na Santa Casa de Porto Alegre, ocupa a cadeira de número 22 da Academia Nacional de Medicina (ANM). A entidade é formada por 100 membros titulares vitalícios, divididos por seções: 40 cadeiras para a Clínica Médica, 40 para a de Cirurgia e 20 para as Ciências Aplicadas à Medicina.
De acordo com Camargo, diretor do Depto de Cirurgia Torácica da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia do Rio Grande do Sul (SPTRS), a ANM é a mais antiga sociedade científica da América Latina. São 181 anos de funcionamento ininterrupto. Todas as quintas-feiras são feitas apresentações de trabalhos científicos na Academia, oriundos dos mais diferentes centros do País, com o aval de um dos Acadêmicos. Desse modo a Academia se tornou uma grande vitrine da atividade médica científica brasileira.
Uma das propostas do professor Camargo é proporcionar às universidades de medicina do país o acesso a este conteúdo. “Os trabalhos apresentados são de excelente qualidade e não devem ficar restritos aos muros da ANM. Precisamos disseminar o conhecimento e divulgar os estudos realizados”, afirma. A ideia é disponibilizar as apresentações através de teleconferências, via internet, para as universidades interessadas. A proposta apresentada pelo cirurgião está sendo analisada pela Academia e em vias de firmar parcerias para a sua viabilidade, tanto técnica quanto econômica, do projeto.
Outra proposta que José Camargo irá apresentar é a de que a ANM comece a se manifestar a respeito de assuntos controversos e relevantes, como, por exemplo, o aborto, a eutanásia e a pesquisa com células-tronco. “Acredito que a opinião e o parecer da Academia vão elevar significativamente o nível da discussão desses temas controversos”, destaca.
Definindo-se como inquieto, e atento às questões da medicina, Camargo diz estar aproveitando muito a experiência de participar da entidade. “O convívio é prazeroso, porque assuntos interessantes são trazidos para o debate por pessoas inteligentes e cultas. Há aspectos filosóficos também muito importantes que são debatidos. Trata-se de uma ótima oportunidade”, conclui.